A partir dos anos 70 até o início de 90 os campeonatos estaduais eram a coqueluche do nosso futebol a forma de disputa com turnos e returno eram emocionantes e as equipes interioranas com um prazo maior de disputa da competição tinha elencos competitivos, aguerridos e que davam muito calor às equipes consideradas grandes do nosso futebol. Sem dúvida era uma grande festa no nosso futebol.

O título era muito valorizado para as equipes devido à dificuldade durante as competição, favoritismo apenas antes de iniciar o campeonato. Rivalidade presente a cada rodada, ainda mais com os clássicos locais e regionais. Era uma festa sem fim, isto, sim era glamour.

Com o advento de outras competições o calendário do nosso futebol ficou inchado tornando necessário diminuir o período de competição dos estaduais e pior com formulas esdruxulas prejudicando grande parte das equipes e tirando a essência do mesmo.

A rivalidade local praticamente apesar de sempre existir e perpetuar não existe com frequência, e parece não ter fim a decadência após a conquista da Série A 2 de 2018 pelo Guarani voltamos a ter no nosso estadual o famoso Derby de Campinas mas não teremos em 2023 somente pelo brasileiro da Série B.

Pior, parece tudo normal para nossos dirigentes!

Infelizmente, devido o prazo da competição e os altíssimos custos vivenciados por nossas equipes, grande parte delas montam seus elencos próximos à competição e sem muitas perspectivas de disputa durante o ano e com o intuito de manter-se no campeonato. É uma grande aposta e nem sempre tem dado certo.

Entre vários casos, cito o do Santo André em 2020 após um início fulminante e com a paralização do campeonato devido à pandemia do Covid 19 o Ramalhão perdeu jogadores importantes na volta do campeonato devido o encerramento do contrato. Apesar da equipe do ABC ter classificado no seu grupo para as quartas de final. Porém, se fosse com turno e returno talvez poderia ter mais sucesso.

Tivemos a polêmica final de 2018 e por sentir prejudicado o presidente do Palmeiras chamou a competição de “Paulistinha”.

Mas faz falta o estadual com turno e returno e todas as equipes se enfrentando, o nosso interior possuía equipes qualificadas e quase imbatíveis em seus domínios, os estádios sempre lotados e os clássicos locais e regionais eram o grande atrativo e fator motivacional para as equipes.

Mesmo com todas as adversidades os estaduais têm demonstrado seu valor, pois, equipes que disputam o brasileiro neste ano não conseguiram se manter no estadual sendo rebaixadas caso específico do Novorizontino (B), Ponte Preta (B), Volta Redonda (C), Atlético-CE (C), URT (D) e Paraná Clube (D) entre outras equipes.

Tivemos equipe campeã estadual e rebaixado no mesmo ano do brasileiro caso do Vasco e do Goiás em 2015 e no ano de 2016 Internacional , América-MG e Santa Cruz, porém, não para por aí.

Necessitamos reviver a competitividade urgente e dar valor aos nossos estaduais.

Obs. ( ) entre parênteses a competição disputada no campeonato Brasileiro.

Gil Cipriano
O futebol jogado em todo lugar, de Fernandópolis até a Europa

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