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Kleiton Lima assume cargo na Secretaria Nacional de Futebol

Atualizado: 21 de Ago de 2019


Brasília (DF) - O ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino e com passagem marcante pelo Santos Futebol Clube quando idealizou o projeto Sereias da Vila, Kleiton Lima assumiu recentemente o cargo de Assessor Especial da Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor (SNFDT), órgão pertencente ao Ministério da Cidadania do governo do presidente Jair Messias Bolsonaro.


Uma das principais missões de Kleiton Lima será exatamente incrementar a massificação do futebol feminino pelo país, mas caberá a ele também, assessorar na pasta sobre os melhores caminhos para elevar o nível do futebol masculino. Na última temporada, Lima estava como treinador do Chicago Soccer, em Illinois, de onde retornou recentemente para assumir esse novo desafio na sua carreira, após aceitar convite do Secretário Nacional Ronaldo Lima para coordenar esse grande projeto de desenvolvimento do futebol feminino.


O Jornal do Esporte que há muitos anos acompanha a carreira desse grande profissional, desde o início de sua missão com o futebol feminino na cidade de Itanhaém, quando criou e comandou o Spy Soccer Club, ouviu Kleiton Lima direto de Brasília e traz com exclusividade essa entrevista para os seus leitores.


Jornal do Esporte: Como se deu o convite para estar hoje na Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor e qual sua missão principal nesse cargo que ocupa hoje?


Kleiton Lima: O cargo é de Assessor Especial e fui convidado a assumir essa função pelo Ronaldo Lima, Secretário Nacional de Futebol, secretaria esta que tem também o Dagoberto dos Santos, Diretor de Futebol Profissional, duas pessoas com as quais eu já tive a honra e o prazer de trabalhar. O Ronaldo quando estive na CBF por quatro anos e o Dagoberto quando da minha última passagem pelo Santos Futebol Clube com a equipe Sub-23 masculina. Na prática, esse assessoramento se dá em virtude de algumas ações que culminarão também com o futebol masculino para que eu esteja presente com uma visão técnica e trazendo algumas idéias e elaborando projetos juntos com eles. Além disso, terei uma pasta meia que exclusiva em minhas mãos relativa ao futebol feminino porque eu trabalhei, tive uma vivência e você, Washington, acompanhou parte dessa minha história no futebol feminino, tanto quando eu comecei nos meus projetos pessoais com a modalidade e depois quando a minha carreira ganhou um panorama mais profissional quando eu fui contratado pelo Santos para idealizar o projeto Sereias da Vila que foi o projeto mais vencedor do futebol feminino brasileiro e aonde eu cheguei à Seleção Brasileira, tendo ficado por três anos. Então, a missão principal na Secretaria hoje é cuidar também dessa pasta no futebol feminino, mas não só isso, pois irei auxiliá-los e assessorá-los nos outros projetos do masculino.

Jornal do Esporte: Com toda essa sua experiência vivida até hoje no futebol e principalmente no futebol feminino como espera contribuir efetivamente para o desenvolvimento deste trabalho?

Kleiton Lima: A minha visão é uma visão mais técnica e eu estou buscando trazer para o Ministério da Cidadania e mais especificamente para a Secretaria Nacional de Futebol ações que possam desenvolver o fomento, a massificação, a estruturação, a formação, enfim, certificação do futebol feminino com projetos a curto, médio e longo prazo. A curto prazo, a gente já tem feito algumas ações que vou elencar aqui para você: já promovemos uma clínica de futsal feminino em Xanxerê, no sul do país, buscando como objetivo principal o fomento e a massificação da modalidade e oferecer a oportunidade para que meninas possam ingressar também no futsal e quando falamos do futebol feminino, isso inclui tudo, não é só uma pasta única de jogadoras profissionais de futebol, pois passa também por esse processo de massificação, fomento e principalmente de participação, aumentar o número de participantes na modalidade e oferecer condições para essas participantes se formarem e buscarem uma vida dentro do futebol profissional feminino do nosso país. Realizamos também um simpósio interno que chamou o futebol em debate, trazendo profissionais que trabalham e militam na área do futebol feminino para que fossem discutidas e apresentadas idéias, achar soluções. Outra ação foi a criação do Dia Nacional do Futebol, onde a gente buscou através de uma data emblemática do futebol brasileiro, colocar o futebol feminino na vitrine homenageando atletas com a presença de dirigentes da CBF e federações, autoridades do país como o próprio presidente Jair Bolsonaro, que ajudou o futebol feminino declarando apoio total e isso foi importante, pois foi acompanhado pelo universo do futebol. Pelo pensamento do nosso presidente existe a concordância de que a cidadania no nosso país pode também ser melhorada através do futebol. O presidente ao declarar que o futebol nos une, cita o futebol como um todo com a participação de meninas, meninos, adultos, idosos, porque o futebol brasileiro é culturalmente um patrimônio do nosso povo brasileiro, então foi uma ação muito positiva do nosso presidente e demais autoridades.

Jornal do Esporte: Que outras ações práticas ocorrem neste momento da gestão?


Kleiton Lima: Temos uma ação acontecendo através de orçamento e emendas parlamentares que é o torneio regional de futebol feminino que acontece em Paulista, Pernambuco; temos uma ação aqui do Ministério da Cidadania através da nossa Secretaria Nacional chamada Seleções do Futuro que também inclui o futebol feminino; estamos com datas marcadas para audiências públicas para tratar das melhorias que a gente pode oferecer ao futebol feminino e principalmente a ação onde a Secretaria Nacional do Futebol está propondo o Estatuto do Futebol que ainda está em um movimento de escolha de pessoas, idéia de colocar câmaras temáticas onde possamos discutir os problemas do futebol brasileiro e fazer uma revisão da Lei Pelé para que se crie um documento único para o futebol brasileiro e isso inclui a todos do futebol, seja masculino, seja feminino, principalmente este para que seja definitivamente profissionalizado. Por isso vejo com bons olhos essas idéias e ações que estamos propondo, minimizando muitos dos problemas, avançando no crescimento da modalidade no país. Esse é um trabalho de grupo unindo muitas pessoas trocando idéias e avançando nessas questões.

Jornal do Esporte: Quais as maiores dificuldades que você acredita que o país ainda tenha para fazer deslanchar o futebol feminino mesmo diante de todas as evidências de que pode ser um sucesso permanente de público nos estádios?


Kleiton Lima: Temos algumas dificuldades que todas as pessoas sabem como a de quebra de barreiras em relação ao lado cultural do futebol, do nosso país ter um olhar muito mais machista com relação ao futebol, de locais mais apropriados até então para meninos e homens do que meninas e mulheres, mas existe uma quebra que já vem acontecendo, pois eu vejo que o futebol feminino mundial está em ascensão. A FIFA vem investindo muito na modalidade e em conseqüências as confederações de cada país também estão enxergando o futebol feminino com grande potencial. Há ao mesmo tempo um movimento universal de empoderamento da mulher, um movimento mais feminista de nivelamento onde a mulher pode chegar ou pode ser equiparada de chegar a alcançar gols do mesmo nível que os homens atingem, então estou vendo que tudo isso está sendo uma mola propulsora para que o futebol feminino venha a crescer de uma vez por todas.


Jornal do Esporte: Essas dificuldades estão, portanto, em um bom momento para serem superadas?


Kleiton Lima: Vejo que dificuldades como a falta de estrutura, de captação, de formação, de uma legislação que possa colocá-las como profissionais para elas terem os direitos e garantias amparados pela lei, a falta de um calendário, enfim, tudo isso eu vejo como dificuldades que podem ser superadas mediante o momento que estamos vivendo principalmente com o apoio do governo federal, apoio da própria FIFA, das instituições e clubes que estão abrindo espaços, ainda que com certas restrições. Lembro-me que quando eu comecei no futebol feminino eram pouquíssimos clubes que tinham a modalidade, o próprio Santos, demorou sete ou oito anos para criar um departamento de futebol feminino específico para que a modalidade pudesse ter um espaço maior e ganhasse um corpo técnico de profissionais específicos dentro do clube. Hoje a própria FIFA através da CONMEBOL, obriga os clubes que disputam a Taça Libertadores a terem o futebol feminino. Isso é uma obrigatoriedade e diversos clubes hoje têm departamento especifico. Temos aí o Campeonato Brasileiro das séries A1 e A2, que mesmo não oferecendo a mesma estrutura do masculino, já demonstra grande avanço se compararmos há dez anos atrás.

Jornal do Esporte: Dentro deste trabalho que está sendo feito em Brasília, como você entende que os Estados e Municípios podem contribuir para ajudar na massificação do futebol feminino?


Kleiton Lima: Com relação a essa regionalização por estados e municípios ela pode acontecer sim, mas de uma forma feita em conjunto. Começa no município e penso que certamente as secretarias municipais de Esporte podem sim oferecer um espaço para desenvolver o futebol feminino, creio que é uma tendência. Hoje vemos poucos municípios usando o esporte como ferramenta ainda de formação do cidadão, enfim a gente já sabe de todos os benefícios para uma criança que está investindo o seu tempo do contra turno escolar para estar envolvido com o esporte e quanto isso livra ela dos vícios, da criminalidade, enfim, vemos que se o município oferecer também o futebol feminino dentro dessa mesma janela é uma forma de massificar a modalidade e dar perspectivas para essa menina no aspecto social e até vislumbrar uma oportunidade profissional como atleta. Eu tenho uma experiência também, você sabe disso, pois acompanhou a minha carreira nos Estados Unidos, e lógico que lá tem uma cultura diferente, porque lá o futebol não é olhado só com os olhos para o menino, lá a mãe dá de presente para a filha uma chuteira, é normal, eu vivi isso lá, porque a mãe jogou futebol e até investe para que a filha faça o mesmo percurso, é um orgulho para ela. E vejo sim, que as secretarias podem investir criando escolinhas, torneios, campeonatos, isso vai inflamar e ajudar nessa massificação e regionalização do futebol feminino. Temos o programa Seleções do Futuro do Governo Federal, da Secretaria Nacional do Futebol que inclui o futebol feminino no seu nascedouro. A menina que gosta do futebol e não sabe por onde começar, o município pode fazer um convênio com o Governo Federal e ter esse programa para massificar e fomentar, para iniciar essa menina que futuramente poderá ir para um clube e adentrar no futebol profissional. Nascer no município, passar pelos estados e chegar na nação toda, esse é um dos caminhos para o futebol feminino.


Jornal do Esporte: E com relação aos clubes, dos profissionais aos amadores, como podem contribuir para esse desenvolvimento?


Kleiton Lima: Nesse lado clubístico, uma das nossas idéias é oferecer também um calendário buscando apoiar torneios mais regionais como estamos fazendo lá em Paulista, interior de Pernambuco. É uma ação em conjunto com o município, porém uma ação do governo federal em convênio com o município para que possam ocorrer essas ações. Outra idéia que estamos levando para a CBF e federações é a criação de seleções estaduais para criarmos torneios e ranquearmos jogadoras dentro dos próprios estados, criando assim essa grande regionalização, fazendo surgir essas meninas que tem disposição e talento para o mundo do futebol. Enfim, são projetos que caminham tanto para o lado da inclusão social como para a profissionalização do esporte.


Jornal do Esporte: Para encerrarmos, o Jornal do Esporte gostaria de dar sua colaboração nesse processo e desde já apoiar qualquer ação que a Secretaria Nacional do Futebol venha trazer para a nossa região que atinge desde Peruíbe no Litoral Sul até Paraty, no Rio de Janeiro, inclusive o Litoral Norte onde estamos sediados hoje, em Caraguatatuba. E qual a possibilidade de trazer programas e clínicas para cidades do Litoral Norte e Baixada Santista?


Kleiton Lima: Aqui na Secretaria Nacional a gente pensa no macro, como nação e a idéia é a gente sempre trabalhar em conjunto em convênios com regiões e seus municípios e também em parcerias com outros ministérios do governo federal. Por exemplo, nosso calendário está apontando para que aconteça uma clínica agora, provavelmente em outubro, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, tratando do futebol feminino. Ainda é uma idéia, não está oficialmente fechada, porém, foi levantado através do Ministério da Justiça que essa é uma das regiões com índice muito alto de criminalidade e estamos buscando unir o Ministério da Cidadania, através da Secretaria Nacional do Futebol junto com o Ministério da Justiça para fazer ações que ajudem a diminuir esses índices negativos oferecendo ferramentas como o esporte. No caso aqui, eu tenho a oportunidade de levar o futebol feminino para essas regiões, oferecendo clínicas e programas. Aí no litoral paulista é uma região que também interessa bastante, pois eu vejo como uma região rica em talentos, o litoral sul, litoral norte, o litoral do Rio de Janeiro, nossa história mostra isso, pois eu posso falar por experiência própria. Uma menina que começou na minha escolinha no litoral sul disputou Copa do Mundo, Pan-Americano, que foi a Franciele, descoberta na minha escolinha lá atrás com um trabalho de formiguinha e que ofereceu para ela ser uma atleta de futebol profissional mudando a sua perspectiva de vida e sua visão de valores. Enfim, estou falando um pouco da experiência que vivi aí no litoral paulista e nos interessa muito sendo um trabalho em conjunto. Os municípios têm que procurar fazer uma colocação de iniciativa ou formalizar um convite para que a gente possa promover uma clínica e dar a oportunidade de fazer algumas ações em parceria com essa região, mas olhando com visão mais global de massificação e fomento, assim como estamos levando para outras regiões do país. Estamos abertos a receber essas propostas, justamente através desse convite de vocês e do seu veículo de Comunicação que é um jornal que eu respeito muito e sei que tem um alcance muito grande. Fica aí a idéia dos municípios nos procurarem, formalizarem um convite para que a gente possa estudar essa possibilidade de fazer essas ações em conjunto.

Jornal do Esporte: O Jornal do Esporte agradece a esse grande profissional que você é Kleiton Lima, a oportunidade de nos trazer essas perspectivas para o nosso público e desejar boa sorte nesse novo desafio na sua carreira, desejar boa sorte para toda a equipe da Secretaria Nacional, do Ministério da Cidadania e para o governo federal como um todo, que nos renova a esperança em um Brasil grande e forte, principalmente na área esportiva.

Kleiton Lima: Obrigado Washington, eu que agradeço de novo e fico feliz em ver a expansão do seu veículo de Comunicação, do seu trabalho, do Jornal do Esporte, do alcance que isso vem ganhando, você é uma mola propulsora do incentivo ao esporte como um todo, do esporte amador, do esporte regional. Eu sei que você não privilegia uma única modalidade esportiva, você também divulga as modalidades que tem muita dificuldade de ganhar uma notoriedade e o futebol feminino sempre teve um espaço aí no seu jornal, então eu vejo quanto é importante a gente estar em conjunto trabalhando para que a modalidade cresça e ganhe um caráter mais profissional e um respeito e admiração cada vez maior do povo brasileiro.


UMA CARREIRA DE SUCESSO


Após jogar nas categorias de base do Santos FC e se profissionalizar como jogador de futebol, Kleiton Lima aceitou o desafio em 1994 de, aos 20 anos, fazer parte de uma equipe de futebol na cidade de São Francisco nos Estados Unidos, no momento em que se buscava popularizar o esporte por lá. Neste mesmo ano participou ativamente da Copa do Mundo como o "espião" na conquista do tetracampeonato da Seleção Brasileiro, informando a dupla Zagallo e Carlos Alberto Parreira sobre a Seleção da Rússia contra quem o Brasil jogou e Kleiton Lima havia feito um período de estágio junto com a equipe californiana. No ano seguinte retornou ao Brasil e fundou uma escolinha de futebol chamada Spy Soccer Club, percebendo que nos Estados Unidos da América a procura pelo futebol feminino e a maneira como a modalidade era tratada, resolveu implantar e fundar a primeira escolinha especializada em futebol feminino da Baixada Santista.


Após várias conquistas, foi convidado em 1997, pelo Santos a trabalhar no clube, idealizando as Sereias da Vila, permanecendo como treinador por 14 anos, onde conquistou vários títulos nacionais e internacionais. Trabalhou também nas categorias de base masculina, onde dirigiu atletas renomados como Robinho e Diego, entre outros. No fim de 2007 assumiu a Seleção Brasileira Sub-20 de Futebol Feminino, e no final de 2008 foi promovido como técnico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, onde permaneceu até o fim de 2011.


Na Seleção Brasileira foram 33 jogos com o excelente aproveitamento de 26 vitórias, 6 empates e somente 1 derrota em 33 jogos. Conquistou títulos como o de bicampeão Sul-Americano (2008 e 2010), campeão do Torneio Internacional de Seleções (2009), campeão da Copa América, conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara (2011) e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos Universitários de 2011.


Foto: Monique Damásio/ Ministério da Cidadania

Clinica Chapecó : Monica Cris

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